Meu marido se converteu aos gatos


Bom dia, convertidos ou inconvertidos aos gatos! Sou casada há quase 24 anos e no início do meu casamento tirei das ruas, em uma noite chuvosa, um filhote de gato. Ele era branco e muito bonitinho. Mas por morar em um apartamento, e por meu filho ser pequeno, meu esposo não viu com bons olhos a presença dele em casa.

Durante algum tempo, cuidei desse gatinho, dei até nome para ele, Bola de Neve, em homenagem a uma história de um menino negro que recebeu esse nome de zombaria dos seus amigos. Cansado de ser zombado, viu um anuncio de sabão que dizia: sabão “milagroso” deixa alvo como a neve.  Ele não sabia que o anuncio era para deixar alvo pano, não a pele dele.

É uma história muito bonita com fundo moral interessante.  Ao longo do tempo que Bola de neve esteve comigo, meu esposo sempre perguntava: “Ele sabe voar?”. Captando a mensagem, procurei uma nova casa para ele, a da minha mãe. Lá ele foi bem aceito, até os cachorros que viviam com ela gostaram dele. Porém, um dia, chegou um cachorro novato que o escarrerou e nunca mais ele voltou para casa.

Vinte anos depois, passei a ter a minha primeira gatinha, Ahri. Meu esposo não gostou muito da ideia, mas agora era diferente, estávamos morando em uma casa, e nosso filho já era grande. Por isto, topei em encarar a resistência.

Por falta de experiência, Ahri cruzou e teve cinco filhotes. Neste mesmo período, duas gatas de rua pariram três filhotes, cada uma, cheguei a ter doze gatos em casa. Foi muuuuito difícil cuidar de tantos gatos ao mesmo tempo.

Ensiná-los a fazer suas necessidades no lugar certo, enquanto não aprendiam tinha que limpar todos seus dejetos espalhados na varanda e quando conseguiam entrar em casa também. O problema triplicava quando adoeciam. Tinha que ter cuidado para que os outros gatos saudáveis não adoecessem, o que erra as vezes impossível. Aí quadruplicava o trabalho e o estresse também.  

Limpar o canteiro, suas vasilhas, impedir que eles saíssem para rua. Aliás, a casa foi se adaptando a eles para que não saíssem para a rua e ficassem vulneráveis as mazelas da rua.  Telas foram espalhadas pela varanda, muros foram erguidos, um cantinho virou quarto para eles.

Lembro-me que passei a acordar 5:00 da manhã por um bom tempo. Nem precisava colocar o despertador para me despertar. Simplesmente, abria os olhos e lá estava eu cordada para começar minha rotina com meus gatos.

Tudo isso vivenciado pelo meu marido que não gostava muito da presença deles em casa. Um certo dia ele disse que os suportava por minha causa. Poxa imaginem se não fosse por minha causa. Kkkkk....Foi barril, momentos de muita chateação e brigas.

Porém, com o passar do tempo meu marido começou a vivenciar a vida desses gatinhos, ou contada por mim ou vista por ele mesmo. Os filhotes eram engraçadinhos, e as fêmeas tinham seu jeito peculiar de ser. Suas vidas começam a fazer parte da vida dele.

 Passou a ser um especialista em dar nomes aos gatos. Lili, Espeto, Gênio, Lionel Richie, Anitta, e dentre outros nomes foi ele quem os deu. Até os de rua ele dá nome.  Kkkkk  Ele passou a acompanhar o desenvolvimento deles. Presenciou situações de alegria e tristeza.

Passou a se interessar pela alimentação, qual a marca que eles mais gostavam de comer, os sachês mais saborosos, se adoeciam ficava triste, mas era uma relação AD, a distância, não tocava neles, e quando seus rabos lapeavam suas pernas parecia que o demo tinha se manifestado nele. Kkkkkkkkkk

Um dia eu achei ridículo ele discutindo com um dos nossos gatos, pois não tinha coragem de pegá-lo para coloca-lo para fora de casa. Quem passasse pela rua ia achar que ele estava brigando comigo. Aff... Só para vocês terem um ideia a primeira vez que ele teve coragem de carregar um dos nossos gatos, a sensação que tive é que ele estava segurando um monte de coco, nem parecia um gatinho lindo e fofudo.  

Mas para Deus ninguém está perdido. ...Ô glória! Um dia um dos nossos gatos, Narigão Preto, apareceu morto na varanda. Tinha aspecto de envenenamento por chumbinho. Fiquei muito triste e nem tinha coragem de enterrá-lo. Pedi a ajuda ao meu marido.

Encontramos um lugar perto de casa para enterrá-lo. Meu marido cavava e eu também. Quando finalmente a terra cobriu aquele adorável gatinho, que tinha feito parte de nossas vidas, pedi que ele orasse e de repente, ele começou a chorar. Abrir os olhos e olhei para o céu e ali percebi que meu esposo havia se convertido aos gatos.

 Hoje ele tem simpatia pelos gatos, mas ainda em uma relação AD (á distância), mas tem carregado alguns na mão. Um dia registrei um outro milagre um filhote no colo dele, segue foto abaixo.


Exclamei para ele: “Que milagre, carregando um gato no colo. Realmente, meu esposo se converteu aos gatos”. Então, ele respondeu: “Só tô deixando porque é “de menor”. Está protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente” “. kkkkkkkkk

Bem, pessoal, a vida é assim, é preciso deixar que o mestre chamado de Tempo faça seu trabalho. Até mesmo converter quem ainda não está convertido aos gatos. E aí? Vocês têm deixado que o tempo faça seu trabalho? Até segunda!

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