GATOS & CÃES X LARVA MIGRANS

Os gatos são animais adoráveis. Seu corpo
peludo com cores diversas os tornam fofinhos e engraçados. São bons
companheiros, mas independentes emocionalmente. Se achegam em busca de carinho
misturado com algo de lhe interessa.
Além de companheiros são excelentes
caçadores. Ratos, lagartixas, cobras, isentos e outros pequenos animais fazem
parte do seu cardápio, mas para os mais domesticados a ração é a mais atraente.
Como qualquer relação podemos desfrutar
de coisas boas ruins. Não é diferente com os gatos. O lado ruim na relação com
os gatos estão nas doenças que eles podem passar para os humanos dentre elas Larva
migrans cutânea.
A Larva migrans é um estágio de vida de
vermes mais conhecidos como Ancylostoma
braziliense e Ancylostoma caninum que também parasitam cães. Esses agentes etiológicos ao parasitarem
cães e gatos, torna-os hospedeiros definitivos, pois conseguem alcançar a
maturidade sexual e se reproduzirem normalmente.
Ao se reproduzirem liberam ovos no
intestino de gatos e cães infectados, que por sua vez, ao defecarem, eliminam,
diariamente, milhares de ovos no ambiente. Se o ambiente estiver com condições
ideais de umidade, temperatura e oxigenação, ocorre ainda dentro desses ovos o
desenvolvimento de larvas de primeiro estágio, que eclodem e passam a viver no
ambiente.
Essa larva de primeiro estágio
desenvolve-se e atinge o terceiro estágio que é infectante. É nesse estágio que o homem é infectado. Ela
consegue penetrar e migrar pelo tecido subcutâneo durante semanas ou meses e
então morre. Mas até que ela morra ela deixa
estrago, pois forma-se caminhos pelo subcutâneo que irrita levando o homem a
coçar e aí pode ferir a pele levando a uma infecção.
Diante desse quadro de doença é muito
importante que as unidades de zoonoses do município estejam atentos aos gatos e
cães de rua. E isso se agrava ainda mais quando o ambiente não existe
infraestrutura. Como é o caso de locais da Ilha de Itaparica, localizada na Baía de Todos - os – Santos com esgoto a
céu aberto e animais de rua vivem livres, circulando por ruas sem calçamento
e praias.

Dessa forma, se tornam agentes
potenciais de propagação de Larva migrans cutâneas, que inclusive, podem
atingir circulação sanguínea e serem transportadas aos pulmões, onde atravessam
seus capilares e alcançam os brônquios, podendo ser encontrados nos escarros.
Na semana passada três pessoas do
loteamento Outeiro dos Galrões foram infectadas com larva migrans ao tentarem
obstruir uma poça de esgoto que se juntou com a água de chuva em frente à casa
de uma moradora.
Com medo de contraírem Covid -19, se
negaram em ir ao posto de saúde da localidade para serem avaliados por um médico.
Entretanto, o aspecto dermatológico da lesão, caracterizado por erupção linear
e tortuosa da pele confirma o diagnóstico.
Para o controle dessa doença na Ilha de
Itaparica é necessário que haja investimento para que tais localidades desabastecidas
de saneamento básico passem a ter, o setor de zoonose desenvolvam ações continuas com os gatos e cães de rua, vermifugando-os e conscientização da população,
principalmente, donos de gatos e de cães, sobre o problema dessa parasitose
tratando seus animais com mais responsabilidade dando a eles, com frequência, vermífugos
de largo espectro.
Sem mais delongas, até segunda com gatos.
E se cuidem, hein!
Fontes:
Neves, David Pereira. Parasitologia humana. 10º ed. - São Paulo: Editora Atheneu, 2004. 428 p.



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